QS 01, Rua 210 lote 18, Águas Claras - DF, CEP: 72030-120

+55 (61) 3563-1314

 
A comunidade científica faz pressão para marcar os refrigerantes com alertas de saúde

A comunidade científica faz pressão para marcar os refrigerantes com alertas de saúde

A indústria açucareira, uma gigante que produz inimagináveis 170 bilhões de quilos de açúcar por ano ao redor do mundo, está sob a mira da arma, como estiveram, décadas atrás, as empresas de tabaco. Um grupo de cientistas dos EUA pede que, como no caso dos cigarros, as bebidas açucaradas sejam marcadas com advertências de saúde para desencorajar o consumo. Por exemplo, a lata comum, de 330 mililitros, das marcas mais consumidas de bebidas de cola tem quase nove colheres de chá de açúcar (35 gramas). A Organização Mundial de Saúde relaciona as bebidas açucaradas à epidemia de sobrepeso e obesidade que afeta por volta de 2 bilhões de pessoas e faz com que problemas cardiovasculares sejam a principal causa de morte no mundo.
Os investigadores, liderados pela epidemiologista Christina Roberto, da Universidade da Pensilvânia, demonstrou pela primeira vez que a colocação de advertências de saúde nas bebidas açucaradas reduz as suas vendas, um objetivo que os cardiologistas perseguem, como mencionaram em várias ocasiões. Os cientistas realizaram uma pesquisa digital com 2.400 pessoas, todas elas com pelo menos um filho. Ofereceram aos consultados uma gama variada de sucos e refrescos.

A compra de bebidas açucaradas caiu 20% (de 60% a 40%) quando os pacotes mostravam um alerta de saúde, como “ADVERTÊNCIA DE SEGURANÇA: Tomar bebidas açucaradas contribui para a obesidade, diabetes e cáries nos dentes”, segundo o estudo, publicado na revista Pediatrics. Os estados de Nova York e Califórnia já prepararam mudanças legislativas para introduzir esses alertas nos refrigerantes com acréscimo de açúcar. “Mesmo que muitos possam saber que Coca-Cola e Pepsi têm muito açúcar, muitas pessoas não percebem que outras bebidas que podem parecer saudáveis, como Gatorade ou Powerade, também estão cheias de açúcar”, lembra Roberto.

Uma porta-voz do Ministério da Saúde afirma que “segundo a Agência Espanhola de Consumo, Segurança Alimentar e Nutrição (Aaecosan), esse tipo de advertência, no momento, não está contemplada” na Espanha. Até 2014, a diretora-executiva da Aecosan foi Ángela López de Sá e Fernández, que trabalhava como diretora de Assuntos Científicos e Normativos da Coca-Cola Iberia até a sua polêmica nomeação para o Ministério da Saúde. “Atualmente, existe outro enfoque: acordos voluntários e consenso com diferentes setores para uma redução global de açúcares acrescentados”, afirma a porta-voz do departamento de Alfonso Alonso.

A indústria açucareira resiste a perder sua atual impunidade. “Há um amplo consenso científico de nível internacional em torno do fato de que não existem alimentos bons ou ruins, mas dietas equilibradas ou desequilibradas”, explica o argumento enviado a este jornal pela Associação de Bebidas Refrescantes. “Uma etiqueta desse tipo, classificando alimentos ou bebidas, ou os diferentes nutrientes, como bons ou ruins, per se, rompe com este princípio, discrimina os setores produtivos e não resolve os problemas de saúde ou favorece hábitos saudáveis”, acrescenta.

O setor de bebidas com açúcar está envolto em um escândalo desde que o jornal americano The New York Times revelou, em agosto, que a Coca-Cola doou 1,5 milhão de dólares para a criação do Global Energy Balance Network, formado por um grupo de cientistas que tentava minimizar o papel das bebidas açucaradas na epidemia mundial de obesidade, atribuindo-a à falta de exercícios físicos. O projeto foi desmontado depois que a fonte do financiamento foi conhecida.

 

QS 01, Rua 210 lote 18, Águas Claras - DF, CEP: 71950-770

+55 (61) 3563-1314 / (61) 3563-4776 / (61) 3562-2064

Facebook
Realizado por Amplitude Web.