QS 01, Rua 210 lote 18, Águas Claras - DF, CEP: 72030-120

+55 (61) 3563-1314

 
Teor de sódio varia até 66,3% em alimentos

Teor de sódio varia até 66,3% em alimentos

Entre março e abril, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Idec, enviou para teste em laboratório 291 alimentos industrializados de 90 marcas, a fim de identificar o teor de sódio presente. Foram selecionados produtos de todas as categorias de alimentos incluídas nos acordos voluntários para redução de sódio firmados entre a indústria e o Ministério da Saúde.

     Nessa primeira etapa da pesquisa, os resultados foram comparados com a informação da tabela nutricional indicada no rótulo dos produtos, tendo em vista as regras da RDC nº 360 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. O teste em laboratório revelou que alimentos industrializados de grandes marcas têm teor de sódio muito diferente do informado no rótulo. Isso caracteriza desrespeito ao direito de informação correta e clara nas embalagens de alimentos, prevista no Código de Defesa do Consumidor.

     Dos 291 produtos, 27 deles apresentam variação de mais de 20%, para mais ou para menos, desse nutriente. A diferença descumpre a Resolução no 360/2003 da Anvisa, que estabelece regras para a rotulagem nutricional e dá essa margem de tolerância.

     Embora a quantidade de produtos com erro seja pequena em comparação com o total de produtos avaliados, chama a atenção que os itens problemáticos sejam de marcas famosas, como Sadia, Seara, Batavo e Aurora, e que, em alguns casos, a diferença entre o valor informado e o realmente presente passe de 50%.

     Entre os 27 produtos reprovados, dez contêm mais sódio do que o informado. Quase todos são de origem animal, com destaque para salsichas, e a maioria ultrapassa em 40% o teor do nutriente indicado no rótulo. A campeã é a salsicha Viena da Frigor Hans, com 66,3% de variação: a embalagem informa que contém 172 mg de sódio na porção de 50 g, mas o teste revelou que o valor real é 510 mg/50g.

     Os outros 17 produtos apresentam menos sódio do que o informado. A linguiça tipo calabresa da Sadia, por exemplo, informa no rótulo que contém 910 mg de sódio na porção de 50 g, mas, na verdade, tem 566 mg, uma variação de 60,79%. “Não há dúvidas de que teor de sódio mais baixo é desejável, no entanto, o erro abre brechas para se desconfiar da informação nutricional desses produtos como um todo”, critica Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Idec. “O consumidor tem o direito de receber a informação correta. Declarar a quantidade errada de um nutriente, independentemente de para mais ou para menos, fere esse direito”, completa.

O que diz a Anvisa
Segundo a Anvisa, a admissão de uma variação de 20% para mais ou para menos nas informações da rotulagem foi estabelecida para compensar as diferenças que podem ocorrer nos métodos empregados para apurar o conteúdo nutricional. A margem, de acordo com a agência, está prevista nas referências do Codex Alimentarius, coletânea de padrões reconhecidos internacionalmente, que estabelece códigos de conduta, orientações e outras recomendações relativas a alimentos e segurança alimentar.

Para o Idec, as grandes diferenças encontradas entre o teor de sódio indicado na rotulagem e no teste têm origem no fato de a legislação nacional permitir o uso de tabelas de composição padronizadas, em vez de obrigar que as empresas façam a análise do produto em laboratório.

A Anvisa explica que, quando irregularidades de rotulagem nutricional são identificadas nas ações fiscais, são aplicadas as penalidades previstas na Lei no 6.437/1977. Contudo, o Idec vê problemas na fiscalização do processo.

“Em alguns, houve mais de 66% de variação”, conta. “A lei só faz sentido quando há comprometimento por parte das empresas e fiscalização pelo poder público”, defende a nutricionista do Idec.

O Idec enviou os resultados do teste para a Anvisa, para a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e para o Procon-SP e o Procon-RJ. “Solicitamos que os órgãos investiguem os problemas de composição nutricional evidenciados, com o objetivo de prevenir falhas e assegurar que as informações passadas ao consumidor sobre as características dos alimentos sejam corretas”, informa Bortoletto.

Como foi feito o teste

Entre março e abril, o Idec enviou para teste em laboratório 291 alimentos industrializados de 90 marcas, a fim de identificar o teor de sódio presente. Foram selecionados produtos de todas as categorias de alimentos incluídas nos acordos voluntários para redução de sódio firmados entre a indústria e o Ministério da Saúde. Nessa primeira etapa, os resultados foram comparados com a informação da tabela nutricional indicada no rótulo dos produtos, tendo em vista as regras da RDC nº 360 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O teste foi realizado com o apoio do International Development Research Centre (IDRC). As análises laboratoriais foram realizadas pelo Laboratório Bioagri da Mérieux NutriSciences Company, entidade particular credenciada pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA) para integrar o LANAGRO (Laboratórios Nacionais Agropecuários) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para integrar a REBLAS (Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde). 

 

QS 01, Rua 210 lote 18, Águas Claras - DF, CEP: 71950-770

+55 (61) 3563-1314 / (61) 3563-4776 / (61) 3562-2064

Facebook
Realizado por Amplitude Web.